Quinta das Lágrimas | Setecentos anos depois, os jardins continuam vivos

Em Coimbra há um jardim que atravessou sete séculos sem deixar de ser o mesmo jardim. A Quinta das Lágrimas assinala este ano os 700 anos desde a primeira referência documental ao lugar, escrita em 1326 pela mão da Rainha Santa Isabel.

Os jardins que hoje se percorrem em Coimbra são, em grande parte, os mesmos que existiam quando esse documento foi escrito. As Fontes dos Amores e das Lágrimas, criadas por decisão da própria rainha nesse ano, continuam a correr no mesmo lugar. Já a Figueira dos Amores, distinguida em 2025 como Árvore do Ano em Portugal, é hoje um dos símbolos mais reconhecidos da propriedade, ainda que a sua presença ali anteceda em muito qualquer prémio. Esta é uma permanência que raramente se encontra em hotelaria de luxo, um sector que normalmente vive da novidade e da renovação constante da experiência.

Há também a camada de lenda que atravessa o lugar. É nestes jardins que a tradição situa os amores de Pedro e Inês de Castro, uma das histórias mais persistentes da memória coletiva portuguesa. E o facto de a Fundação Inês de Castro ser hoje responsável pela gestão destes espaços, classificados como Imóvel de Interesse Público, fecha um círculo que começa no século XIV e chega, sem grandes interrupções, até 2026.

Miguel Júdice, administrador-delegado da Quinta das Lágrimas, diz que “os 700 anos da Quinta das Lágrimas não fazem sentido como uma celebração isolada. Queremos que este seja um ano vivido por quem regressa, por quem nos descobre pela primeira vez e também por quem vê estes jardins como parte da memória de Coimbra e de Portugal. Setecentos anos depois, continua a ser um lugar vivido.”

Vista do Hotel Quinta das Lágrimas a partir dos jardins

É essa palavra, vivido, que talvez capture melhor do que qualquer outra o que distingue este marco de um simples aniversário institucional. Um lugar com sete séculos de história documentada podia facilmente tornar-se um museu de si mesmo. A Quinta das Lágrimas parece optar pelo caminho contrário: usar a data para reforçar que os jardins continuam a fazer parte da vida quotidiana de Coimbra, não apenas da sua memória.

As comemorações arrancaram a 28 de junho, com um encontro nos jardins que reuniu convidados, parceiros e amigos da casa, dando início a um programa que se estende por todo o Verão. A partir de agora, todos os hóspedes do hotel passam a ter acesso gratuito a visitas guiadas aos jardins históricos, diariamente às 10h, exceto às segundas-feiras. Um percurso que atravessa mais de dez hectares de espaços botânicos e permite conhecer de perto as fontes e a figueira que dão corpo à lenda.

Os jardins históricos, hoje abertos a visitas diárias

Entre julho e setembro, os jardins de Pedro e Inês abrem ao final da tarde de sextas-feiras para garden parties ao ar livre, com show cooking e música. As celebrações incluem ainda o lançamento de uma cerveja assinatura, desenvolvida com a cervejeira coimbrã Praxis e inspirada em receitas medievais, e a oferta “700 anos de Verão”, válida até 15 de setembro, com condições especiais em alojamento, gastronomia e bem-estar, do Restaurante Pedro & Inês ao Arcadas e ao Bamboo Garden Spa.

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